Biografia do Marello
6.
Aos 10/09/1869 era ordenado sacerdote por Dom Carlos Sávio, o qual, percebendo sua bondade e capacidade, escolheu-o imediatamente para ser seu secretário. A escolha foi ótima, de fato o Marello sempre procurava atender todos com muita dedicação e bondade, conquistando logo a simpatia do clero. A bondade de seu bispo o influenciou muito também. Mas sua bondade e delicadeza não se limitavam apenas para com os padres, mas também para com os pobres e os doentes. Cuidado especial terá para com os jovens, procurará instruí-los e ajudá-los. Como secretário desempenhará diferentes funções na diocese, sendo diretor espiritual do seminário, confessor de muitos padres e religiosos, será um pregador de retiros muito requisitado.
7.
O Padre Marello era um sacerdote ávido pelas coisas de Deus, queria a perfeição e, por duas vezes, tentou ser monge trapista, desejo este não concretizado devido aos sábios conselhos de seu bispo Dom Sávio que disse-lhe certa vez: "Parece que Deus aguarda outra coisa de você". Persuadido pelos conselhos do seu bispo, tentou concretizar todas as suas forças no trabalho à Igreja e vem-lhe a idéia de instituir uma Companhia de São José, de caráter secular tendo como modelo e patrono São José. Depois de várias tentativas, em 1878 inicia concretamente o seu projeto, quando tinha 34 anos e 10 anos de sacerdócio. Com ajuda de Dom Sávio inicia sua Companhia com quatro discípulos, numa pobre casa, tendo um quarto e uma sala dividida em duas partes, na parede apenas um quadro de São José sem moldura, uns móveis velhos e nada mais. A pequena comunidade a exemplo de São José vivia na pobreza e humildade, alimentando-se simplesmente, trabalhando nos lugares mais difíceis no instituto Michelério e recebia todos os dias instruções religiosas de um teólogo, assim como formação do próprio Padre Marello. No início, estes irmãos trabalhavam também ajudando os párocos na sacristia ou outros serviços afins e tudo corria bem com as bênçãos e os louvores do bispo. Mas, em 1881 morria Dom Sávio e, em seu lugar chegava Dom Ronco, de caráter completamente diferente, rude e de pouca conversa. Padre Marello deixou o cargo de Secretário e passou a ser Chanceler da Cúria. Isto fez com que ficasse mais fechado no trabalho, sem ter a possibilidade de estar em contato mais direto com os padres como fazia antes. Fiel ao seu projeto da Companhia de São José, apresenta-o ao novo bispo, o qual indiferente nem se dignou ler o esboço e, quando depois de um certo tempo passado o Padre Marello foi buscar uma resposta dele, ele simplesmente respondeu-lhe que não tinha lido nada daquilo que ele tinha escrito, estava no mesmo lugar onde deixara, e que se quisesse levar embora que podia. Este foi um grande golpe para o jovem sacerdote cheio de entusiasmo.
A Providência, porém, veio ao seu encontro enviando-lhe um jovem de nome João Cortona, o qual desejava ser padre em seu Instituto. A princípio o desejo do jovem aspirante suscitou preocupação ao Marello, pois este desejava ser padre num Instituto que não tinha nem mesmo a aprovação do Bispo de Asti. Por isso, o Marello foi buscar ajuda em seu amigo. Pe. Bertagna, Vigário Geral, o qual pediu que o Marello preparasse um memorando com os motivos justos que encontrasse para aceitar em seu Instituto candidatos ao sacerdócio. Feito isto, o Pe. Bertagna (depois também se tornou bispo) conseguiu aprovação de D. Ronco. Com isso, o jovem Cortona continuou seus estudos e em 1883 a Congregação tinha o seu primeiro sacerdote. A Congregação começava deslanchar-se, os seminaristas tinham a permissão para os estudos eclesiásticos, juntamente com isso, a aquisição de uma casa SANTA CHIARA (casa Mãe da Congregação), tudo se tornou mais fácil e as vocações começaram aumentar e com isso crescia o número de padres e de irmãos religiosos os quais passaram dar ajuda ao clero secular em Asti e diocese.
8.
Tudo encaminhava muito bem, o Marello se dedicava muito para sua nova família, quando aos 23/11/1888 o Papa Leão XIII o escolhia para ser o bispo de Acqüi. O comunicado de sua escolha foi feito pelo próprio D. Ronco, que o aconselhou que aceitasse o pedido do Papa. Ainda em dúvida, o Marello vai se aconselhar com o Cardeal de Turin, que lhe deu o mesmo parecer de aceitar a incumbência. Para o Marello era difícil obedecer tal pedido, pois sabia que deveria deixar a sua Congregação e não sabia qual o rumo que tudo iria tomar. Mas, por obediência, aceitou e logo sagrado bispo. D. Ronco, antes rude e indiferente o saudará com estas palavras "Desta escolha se alegra a diocese de Acqüi, mas nós nos entristecemos muito. Ele é uma benção que Asti perde e que Acqüi ganha". Também o Cardeal Alimonda anunciara a sua escolha com estas palavras: Para governar a diocese de Acqüi, foi escolhida uma pérola escondida, um cônego de Asti, Dom Marello.